segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Embarcando no Expresso 2222



Qual o segredo para o sucesso?

Pra mim esta pergunta tem uma resposta muito simples: fazer algo atual, algo com que as pessoas se identifiquem, algo que diga alguma coisa sobre as pessoas, algo que cante a sua vida. Afinal, o que é a arte se não um reflexo um pouco turvo do mundo? O difícil mesmo é fazer isso.
Por isso que eu decidi fazer esta viagem até os anos 70 para encontrar um exemplo claro de um movimento musical que conseguiu fazer tudo isto: o Tropicalismo.

Ora, qual era o grande contexto, o grande problema, que surgia na mente das pessoas nesta época? Uns diriam a ditadura militar. Sem desconsiderar este problema político, eu acho que ele não é o que mais inquietava as pessoas nesta época. O grande fenômeno que confundiu todos os teóricos e todos os homens no Século XX foi sem dúvida a globalização. Se o mundo se torna cada vez mais próximo, homogêneo, aonde sobra espaço para as nossas próprias culturas? Será que de uma hora para a outra a brasilidade seria sugada pelo "american way of life"? O malandro pelo Tio Sam?

O Tropicalismo afirma justamente o contrário: os Estados Unidos estão aqui, o mundo inteiro está aqui, mas aqui ainda é o Brasil!

Gilberto Gil nos mostra isso perfeitamente no álbum "Expresso 2222".

Para começar a viagem, este gênio nos mostra o Brasil limpo, livre de qualuqer influência estrangeira em um ritmo meio africano, meio indígena em "Pipoca na Panela".

Uma faixa depois ele nos mostra que este ritmo é apenas uma lembrança. Que agora está lá em Londres, se sentindo muito longe daqui. Assim, aquele homem que poderia se encantar com as maravilhas do Europa e esquecer totalmente sua terra de origem ainda mantém laços fortíssimos com a sua cultura. Fenômeno este que seria descrito com entusiasmo pelos antropólogos é cantado por Gilberto Gil com maestria.

Este homem ainda faz mais! Ele quebra as barreiras do Brasil com o mundo. Ele mistura Miami com Copacabana, "Chiclete com Banana". Ele está disposto a por bebop no seu samba, mas só se o Tio Sam também estiver disposto a entrar em uma batucada brasileira. Assim, Gilberto Gil afirma que mesmo se pegarmos em guitarras, mesmo se aceitarmos o rock and roll, nós ainda somos brasileiros. Mais que isso! Afirma que isto no fundo é muito bom! Ele faz aquele movimento inevitável da globalização: o conhecer o outro e, logo depois, afirma sua própria identidade.

Ele nos mostra que estamos embarcando em uma verdadeira viagem para o futuro pelo Expresso 2222. Um futuro onde somos americanos, chineses, japoneses, mas acima de tudo brasileiros. Um futuro global.
Nos alerta que devemos nos orientar pelo Cruzeiro do Sul, mas considerar fortemente a possibilidade de ir pro Japão. Devemos a partir de agora decidir não apenas qual será nosso curso de pós-graduação, mas também aonde ele será feito.

E se ainda há alguma dúvida sobre o fato de não deixaremos de ser brasileiros por causa da globalização, Gilberto Gil reforça: "Cada macaco no seu galho. Eu não me canso de falar. O meu galho é na Bahia, o seu é em outro lugar".

E assim, esse movimento, o Tropicalismo, talvez tenha sido a última resposta ao público a necessidade de afirmação de uma identidade nacional. Por isso o tamanho do sucesso e da consagração, aliadas ao talento e a tudo mais que faz a música.

Um Brinde ao que Passou


Para os ainda desconhecem a banda devem pensar que essa vontade de expor a brasilidade é freqüente na banda. Mas a verdade é que a brasilidade aqui sempre comentada não é sempre unânime pelos membros da Bourée. Tem dias que acordamos e pensamos: Que tal um pouco do bom e velho rock n' roll?

Quando olhamos para bandas gringas, principalmente inglesas, que foram sucesso apartir dos 60's, como: The Who, Led Zeppelin e Deep Purple. Bandas que fazem parte de uma boa formação pessoal e que são indiscutivelmente lendas do rock. É que penseo, talvez nada que venha em um futuro será parecido com o que foi feito por eles. O que está feito, está feito. Naquela época as influências culturais, sociais e até politicas eram diferentes. Apesar da vontade de reviver o rock clássico, se tem um compromisso com o futuro. A questão é: não estamos vivendo os 70's.

Ao meu ver, o que nós sobra, como missão, é prestar a homenagem para as próximas gerações. E assim o fazemos.

My Generation do Who. A música que fala sobre a geração inglêsa do fim de 60's, mas que pode facilmente ser enquadrada em qualquer tribo de qualquer periodo é nossa escolhida para o show que preparamos. Como fazer uma cover não é justo com o The Who, fazemos versões a nosso modo, não somos eles - infelizmente - e portanto não queremos simplesmente imitar.

Escolher algo brasileiro para homenagear é uma escolha dificil. Barão Vermelho acabou sendo escolhido a música "Porque a Gente é Assim" marcou uma geração perguntando a todos se queriam mais uma dose, todos repopondiamos: É claro que eu tô afim!

E assim respondemos para nós mesmos - e para quem por ventura perguntar - a que viemos: Celebrar as gerações passadas sem esquecer da originalidade do que ainda não foi completamente criado. Ou simplesmente esperamos nossa próxima dose chegar.

domingo, 7 de setembro de 2008

Meu Sonho de Fazer um Filme

Quando eu era um rapaz jovem de cabelo cogumelo cortado pela mãe, ouvi falar de uma tal cerimonia que premiava filmes, chamada de Oscar. Até cheguei a assistir, mas não consegui aguentar ver toda. Me surpreendi quando vi os nomes dos premiados no jornal do outro dia. Estavam ali, todos listados e eu sem ter que ouvir toda a lenga-lenga das formalidades. Adorei.


Cental do Brasil foi o primeiro filme brasileiro que eu assisti, falavam muito dele na época e eu não resisti e fui ver. A verdade é que eu não gostei, era um filme muito distante para mim, sobre um sertão e com muita religiosidade. Gaúcho como sou e ateu como me tornei não poderia me indentificar com aquilo.

Mas todo mundo pensou depois de Central: Agora vai mudar!

Mudou nada. E para eu ver outro filme brasileiro teve que a globo por a mão e surgir "alto da compadecida" e depois reprisar 3 vezes ao ano. Brasil sempre foi muito mais de novelas. Hoje tenho a impressão das novelas estarem em baixa, mas não sei se é só impressão minha.

A questão é que a criatividade brasileira começou aparecer nos filmes. Os filmes brasileiros começam a existir de verdade para o próprio brasileiro, o que já começa a significar algo.
Walter Salles é, acredito eu, um dos maiores representantes do cinema brasileiro a nivel extrageiro. Que já foi eleito um dos 40 melhores diretores do mundo pela revista The Guardian.

Depois do filme Diarios de Motocicleta (2004), Salles deixou de ser somente um diretor brasileiro, e sim, um diretor internacional.
A questão é que a maioria dos filmes são uma co-produção de algum pai bacana com o brasil, que no geral é por causa de algumas poucas pessoas. Ficou claro para mim: É muito mais dificil fazer filmes no Brasil.

Eu mesmo tenho idéias que poderiam ser um filme, mas não tem algum meio de eu expressar essa idéia. O jeito mesmo é pegar a câmera de mão e ir filmando algo aleatório, colocar uma música de fundo. Depois postar no Youtube com uma música no fundo e dizer que é um Music-Video.

Aqui quando me refiro a filmes, quero dizer longa-metragem. Certo? No Rio Grande do Sul, até acontece uma pequena divulgação para quem é do ramo. Ao menos onão tem o logo da petrobrás a cada inicio de filme.


Em um festival ou mostra de filmes nacionais o que mais vai se poder ver é o simbolo da maldita refinaria. Mas até vale a pena se depois dela vier filmes como: Saneamento Básico, Cheiro do Ralo, Meu nome não é Johnny, Meu Tio Matou um Cara, Homem que Copiava...

Enquanto eu, sigo com meu sonho bobo de um dia ter aqueles papéis de baixo da cama virarem ao menos um curta metragem que ninguém vá ver.

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