Embarcando no Expresso 2222

Qual o segredo para o sucesso?
Pra mim esta pergunta tem uma resposta muito simples: fazer algo atual, algo com que as pessoas se identifiquem, algo que diga alguma coisa sobre as pessoas, algo que cante a sua vida. Afinal, o que é a arte se não um reflexo um pouco turvo do mundo? O difícil mesmo é fazer isso.
Por isso que eu decidi fazer esta viagem até os anos 70 para encontrar um exemplo claro de um movimento musical que conseguiu fazer tudo isto: o Tropicalismo.
Ora, qual era o grande contexto, o grande problema, que surgia na mente das pessoas nesta época? U
ns diriam a ditadura militar. Sem desconsiderar este problema político, eu acho que ele não é o que mais inquietava as pessoas nesta época. O grande fenômeno que confundiu todos os teóricos e todos os homens no Século XX foi sem dúvida a globalização. Se o mundo se torna cada vez mais próximo, homogêneo, aonde sobra espaço para as nossas próprias culturas? Será que de uma hora para a outra a brasilidade seria sugada pelo "american way of life"? O malandro pelo Tio Sam?O Tropicalismo afirma justamente o contrário: os Estados Unidos estão aqui, o mundo inteiro está aqui, mas aqui ainda é o Brasil!
Gilberto Gil nos mostra isso perfeitamente no álbum "Expresso 2222".
Para começar a viagem, este gênio nos mostra o Brasil limpo, livre de qualuqer influência estrangeira em um ritmo meio africano, meio indígena em "Pipoca na Panela".
Uma faixa depois ele nos mostra que este ritmo é apenas uma lembrança. Que agora está lá em Londres, se sentindo muito longe daqui. Assim, aquele homem que poderia se encantar com as maravilhas do Europa e esquecer totalmente sua terra de origem ainda mantém laços fortíssimos com a sua cultura. Fenômeno este que seria descrito com entusiasmo pelos antropólogos é cantado por Gilberto Gil com maestria.

Este homem ainda faz mais! Ele quebra as barreiras do Brasil com o mundo. Ele mistura Miami com Copacabana, "Chiclete com Banana". Ele está disposto a por bebop no seu samba, mas só se o Tio Sam também estiver disposto a entrar em uma batucada brasileira. Assim, Gilberto Gil afirma que mesmo se pegarmos em guitarras, mesmo se aceitarmos o rock and roll, nós ainda somos brasileiros. Mais que isso! Afirma que isto no fundo é muito bom! Ele faz aquele movimento inevitável da globalização: o conhecer o outro e, logo depois, afirma sua própria identidade.
Ele nos mostra que estamos embarcando em uma verdadeira viagem para o futuro pelo Expresso 2222. Um futuro onde somos americanos, chineses, japoneses, mas acima de tudo brasileiros. Um futuro global.
Nos alerta que devemos nos orientar pelo Cruzeiro do Sul, mas considerar fortemente a possibilidade de ir pro Japão. Devemos a partir de agora decidir não apenas qual será nosso curso de pós-graduação, mas também aonde ele será feito.
E se ainda há alguma dúvida sobre o fato de não deixaremos de ser brasileiros por causa da globalização, Gilberto Gil reforça: "Cada macaco no seu galho. Eu não me canso de falar. O meu galho é na Bahia, o seu é em outro lugar".
E assim, esse movimento, o Tropicalismo, talvez tenha sido a última resposta ao público a necessidade de afirmação de uma identidade nacional. Por isso o tamanho do sucesso e da consagração, aliadas ao talento e a tudo mais que faz a música.

1 comentários:
Mazá, guri, se deu no posti.
:r~~
Postar um comentário